Fragmentos do livro Perto do Coração Selvagem

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"(...)
Ouço-a, a queda. Alegre e plana espero por mim mesma, espero que lentamente me eleve e surja verdadeira diante de meus olhos. Em vez de me obter com a fuga, vejo-me desamparada, solitária, jogada num cubículo sem dimensões, onde a luz e a sombra são fantasmas quietos. No meu interior encontro o silêncio procurado. Mas dele fico tão perdida de qualquer lembrança de algum ser humano e de mim mesma, que transformo essa impressão em certeza de solidão física. Se desse um grito — imagino já sem lucidez — minha voz receberia o eco igual e indiferente das paredes da terra. Sem viver coisas eu não encontrarei a vida, pois? Mas, mesmo assim, na solitude branca e limitada onde caio, ainda estou presa entre montanhas fechadas. Presa, presa. Onde está a imaginação? Ando sobre trilhos invisíveis. Prisão, liberdade. São essas as palavras que me ocorrem. No entanto não são as verdadeiras, únicas e insubstituíveis, sinto-o. Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.Sou, pois um brinquedo a quem dão corda e que terminada esta não encontrará vida própria, mais profunda. Procurar tranqüilamente admitir que talvez só a encontre se for buscá-la nas fontes pequenas. Ou senão morrerei de sede.
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Talvez não tenha sido feita para as águas puras e largas, mas para as pequenas e de fácil acesso. E talvez meu desejo de outra fonte, essa ânsia que me dá ao rosto um ar de quem caça para se alimentar, talvez essa ânsia seja uma idéia — e nada mais. Porém — os raros instantes que às vezes consigo de suficiência, de vida cega, de alegria tão intensa e tão serena como o canto de um órgão — esses instantes não provam que sou capaz de satisfazer minha busca e que esta é sede de todo o meu ser e não apenas uma idéia? Além do mais, a idéia é a verdade! Grito-me. São raros os instantes.
(...)"

Sentir-se amado

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"O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama. Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado. .
Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.
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A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?
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Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.
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Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho".
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Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d´água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando? Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. Vem aqui, tira este sapato."
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Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido. Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.
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Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo."

Saudade

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"Desfiou a barra mal costurada em seu coração. Desfiou e retirou dali cada ponto grosseiro, desalinhado, assimétrico que tinha feito. Era tanto desencanto para desfiar que ali passou por três dias sem mais nada fazer... E sorriu (nada mais lhe parecia certo naquele momento). Costurou então seu coração com palavras macias, gracejos, carinho na ponta dos dedos do pé, beijos na nuca, mãos que circundavam a cintura, com as canções mais bonitas, meias listradas. O seu coração então encheu-se de cor...
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Eu vou embora sozinha. Eu tenho um sonho, eu tenho um destino, e se bater o carro e arrebentar a cara toda saindo daqui. Continua tudo certo. Fora da roda, montada na minha loucura. Dá minha jaqueta, boy, que faz um puta frio lá fora e quando chega essa hora da noite eu me desencanto. Viro outra vez aquilo que sou todo dia, fechada sozinha perdida no meu quarto, longe da roda e de tudo: uma criança assustada
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É uma coisa que me dói muito, esses seus silêncios. Sei - claro - que você deve ter problemas bastante sérios, mas uma carta de vez em quando não custa nada e, às vezes - quem sabe? Talvez a gente pudesse ajudar. Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios. A sensação que tenho é que você simplesmente não está a fim de transar muito - e cada vez que tomo a iniciativa de escrever é sempre meio tolhido, sem naturalidade, com medo de incomodar, de ser indesejável. Não é uma coisa agradável. Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade. E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que os amigos não se perdem.
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Substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse é o nosso jeito de continuar."
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O último

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"Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Eu amo tanto o seu banheiro com as combinações em verde e a chuva fina do chuveiro, que chorei essa manhã enquanto você tomava taffman-e e ouvia música eletrônica.
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Às vezes você é tão bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre?
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Eu descobri que tentar não ser ingênua é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteira não me dá medo porque ser inteira já é ser muito corajosa, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam.
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Quando a gente foi ver o pôr-do-sol na Praça pôr-do-sol, eu, você e a Lolita, a minha cachorrinha mala, e a gente ficou abraçado, e a gente se achou brega demais, e a gente morreu de rir, eu senti um daqueles segundos de eternidade que tanto assustam o nosso coração acostumado com a fugacidade segura dos sentimentos superficiais. Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo. E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia. Eu te engoli e você é tão grande pra mim que eu dedico cada segundo do meu dia em te digerir. E eu não tenho mais fome, e eu tenho que ter fome porque eu não quero você namorando uma magrela. E eu sonhei com você e acordei com você, e eu te olhei e falei que eu estava muito magrela, e você me mandou dormir mais, e me abraçou. Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo. E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira. Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
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Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
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Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado.
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Eu limpei minhas mensagens, eu deletei meus emails, eu matei meus recados, eu estrangulei minhas esperas, eu arregacei as minhas mangas e deixei morrer quem estava embaixo delas. Eu risquei de vez as opções do meu caderninho, eu espremi a água escura do meu coração e ele se inchou de ar limpo, como uma esponja. Uma esponja rosa porque você me transformou numa menina cor-de-rosa.
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Você me transformou no eufemismo de mim mesma, me fez sentir a menina com uma flor daquele poema, suavizou meu soco, amoleceu minha marcha e transformou minha dureza em dança. Você quebrou minhas pernas, me fez comprar um vestido cheio de rendas e babados, tirou as pedras da minha mão.
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Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final."

Soneto de aniversário

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Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida Prossiga ela sempre dividida Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura Que vê envelhecer e não envelhece.


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Primeiro mês do blog, amiga! Parabéns pra ele, parabéns pra você, pra mim, pra nós! :)

Sonhos de uma noite de verão

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"Há quem diga
que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas,
Só as de verão.
Mas no fundo
isso não tem muita importância.
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O que interessa mesmo
não são as noites em si,
São os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares,
Em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado.
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Sonhos de uma noite de verão."

O meu primeiro amor.

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O meu primeiro amor tinha cheiro de chuva de verão, uma ingenuidade de criança que dá as mãos e diz que ama, usava uma blusa comprida do irmão mais velho, um chinelo pequeno do irmão mais novo, e os seus olhos eram tão verdes que contrastavam com sua pele morena.

ele era um menino bonito, muito bonito.

O meu primeiro amor me escrevia cartas com uma caneta colorida, me dava ursinhos de pelúcia, flores arrancadas do jardim e fazia músicas para mim.

Ele era meu refúgio meio inconstante, minha brincadeira séria. ele era o mais importante, o que eu pensava antes de qualquer pessoa, ele era o primeiro amor, afinal de contas.

O meu primeiro amor escrevia nossas iniciais no banquinho do canteiro, fazia um gol e apontava pra mim, me levava pra escola de mãos dadas.

Crescemos como amigos, amantes e cúmplices.

Brigamos quando ele repetiu de ano, comemoramos o casamento de seu pai, dançamos juntos músicas lentas, tivemos crises de ciúme, demos nosso primeiro beijo durante anos, fizemos promessas quando ele se mudou, terminamos, voltamos, terminamos, voltamos, terminamos... terminamos.... nos afastamos... ele se foi!

Quando recebi a notícia eu tremia feito criança com medo do escuro, sabe quando parece que o mundo está realmente desabando em cima da sua cabeça e que nem o colo da mamãe pode te consolar? Um nó na garganta que impedia meu ar de sair, comecei a gaguejar, um desespero incontrolável de tocar a pessoa de novo, andei de um lado pro outro durante horas, corri pela rua, voltei, sentei, levantei, andei de novo, não queria falar com ninguém, não queria que ninguém falasse comigo, as lágrimas vieram aos poucos, mas quando chegaram, senti o cheiro da chuva de verão saindo delas.

A gente sempre sonha em casar com o primeiro amor, a gente sempre acha que ele é o amor eterno, e o meu amor eterno não poderia estar findando ali, era muito cruel!!

O meu primeiro amor se foi há 5 anos, mas ainda ouço sua voz quando o vento sussurra no meu ouvido bem baixinho nas noites chuvosas, me dá a sensação de que é ele me dando boa noite. Quando tudo dá errado e eu me revolto com o mundo, sempre escuto uma risada de neném vindo de algum lugar, é incrível, ele ria de tudo, ele achava que tudo terminava em risada, e então eu rio!

Nossas melodias já antigas viraram caixinha de música onde ficam todas as nossas notas guardadas pra eu ouvir com saudade, suas cartas, as flores secas do jardim e os ursinhos, permanecem na nossa caixa de sapato, e quando me perguntam se eu já amei de verdade eu respondo sem hesitar... já!! E o meu primeiro amor era bonito, muito bonito!

Um dia a gente ia casar!



Reinventando o irreparável

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"Eu queria ter te dito a palavra mais doce. Queria ter te dado o abraço mais apertado, o beijo mais carinhoso, o afago mais adequado.
Queria ter olhado nos seus olhos sem medo, ter revelado meus pensamentos mais bobos, ter sussurrado palavras sem sentido.
Queria ter cantado aquela música que sempre foi nossa, ter dado um sorriso pela sua felicidade, ter tido aquele seu sorriso que me trazia felicidade.
Queria ter enxugado suas lágrimas na hora que escorriam, ter soluçado no seu peito por estar angustiado, ter desabafado por agir sempre errado.
Queria ter sentido mais vezes o seu cheiro, ter visto mais filmes abraçado, ter dormido ao seu lado.
Queria ter contado estrelas com os dedos, ter escrito poesias inadequadas, ter ouvido você respirar e pensar como era bom estar vivo ali.
Queria ter tido mais almoços, jantares. Queria ter preparado o café da manhã, ter tomado sorvete de fim de tarde, ter bebido vinho de madrugada.
Queria ter sabido o que você sempre deixou óbvio, ter dado o presente no dia certo, ter ligado quando era hora.
Queria ter a consciência de que ainda era tempo, ter a decência de não fugir do erro, ter a sapiência para não insistir quando já é tarde.
Queria ter dito como eu gostava de você, ter mostrado como você era a pessoa certa, ter revelado como eu era um tolo por não reconhecer.
Queria ter dado o meu melhor por saber que tinha o melhor de você.
Queria ter segurado a sua mão e falado o quanto eu precisava de você, ter pedido ajuda para não sumir, ter sido sincero para não precisar me envergonhar.
Queria ter deixado você ser a única, porque de fato era, e não temer isso como um adolescente que não sabe o que fazer quando começa a amar.
Queria não ter perdido a esperança de que você ainda estaria aí, ter de volta a sua vontade de estar comigo para o que fosse a vida juntos.
Queria ter berros, suspiros e suas mãos entre as minhas.
Queria ter prometido que faria você feliz e cumprido.
Queria ter feito você se sentir especial como era.
Queria ter saído do meu mundo para criar o nosso e de mais ninguém.
Queria ter sido clichê para poder reinventar o amor ao seu lado.
Queria voltar e ser feliz.
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Porque eu só queria ter sido eu como deveria ser para você para você ser para sempre o que eu queria para mim. E fim."

A falta de alguma coisa que eu não sei o que é

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"Eu sempre acho que amanhã será o dia de mudar de vez, de me assumir por completo. Mas daí o amanhã chega e tenho uma imensa preguiça de sair da minha área de conforto, porque é bem provável que ninguém entenda. E dá medo encarar o que é definitivo. E porque é mais fácil reclamar da vida do que torná-la leve de sobreviver.
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Hoje eu sinto saudade e nem sei do quê. É uma angústia louca, um misto de vontade de chorar e sorriso leve. Eu não sei citar motivos, mas alguma coisa me falta. Estou ao mesmo tempo feliz e deprimida, tenho companhia e nunca fui tão sozinha, tenho sucesso e nunca me senti tão fracassada.
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Eu crio mil planos pra mim e boicoto todos eles. A vida é tão cheia de ciclos e fases e eu me agarro doentiamente ao conhecido. Eu evito mudanças drásticas, sabendo que são meus impulsos mais interessantes e busco o conforto da mesmisse. É ridículo, não há surpresas.
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Ninguém nunca espera que eu saia dos meus limites. Quem me conhece de verdade? E quem sabe dos momentos que eu estou a ponto de explodir? As saudades são grandes, o telefone mudo. Me identifico com livros e personagens e nem tenho uma história pra contar. E se eu contar, quem vai se importar?
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Eu me importo, e muito. Quero marcar mais quem passa por mim, quero perder esse medo de não agradar, essa preocupação em ser o que todos esperam. Tentando não incomodar ninguém eu fico neutra. Invisível. E todas as minhas experiências de falta de preocupação já me indicaram que seria bem melhor me assumir. Eu não sou tímida. Sou calculista.
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E essa falta... Na verdade eu sei, mas não queria saber... É falta de mim."
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O jeito deles

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“O que é que faz a gente se apaixonar por alguém? Mistério misterioso. Não é só porque ele é esportista, não é só porque ela é linda, pois há esportistas sem cérebro e lindas idem, e você, que tem um, não vai querer saber de descerebrados.
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Mas também não basta ser inteligente, por mais que a inteligência esteja bem cotada no mercado. Tem que ser inteligente e... algo mais. O que é este algo mais?
Mistério decifrado: é o jeito.

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A gente se apaixona pelo jeito da pessoa. Não é porque ele cita Camões, não é porque ela tem olhos azuis: é o jeito dele de dizer versos em voz alta como se ele mesmo os tivesse escrito pra nós; é o jeito dela de piscar demorado seus lindos olhos azuis, como se estivesse em câmera lenta.
O jeito de caminhar. O jeito de usar a camisa pra fora das calças. O jeito de passar a mão no cabelo. O jeito de suspirar no final das frases. O jeito de beijar. O jeito de sorrir. Vá tentar explicar isso.
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(...)
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Mas o cara mais sensacional do universo e a mulher mais fantástica do planeta nunca irão conquistar você, a não ser que tenham um jeito de ser que você não consiga explicar. Porque esses jeitos que nos encantam não se explicam mesmo.”

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"Não sei, até hoje não sei se o príncipe era ele. Eu não podia saber, ele não falava. E, depois, ele não veio mais. Eu dava um cavalo branco para ele, uma espada, dava um castelo e bruxas para ele matar, dava todas essas coisas e mais as que ele pedisse, fazia com a areia, com o sal, com as folhas dos coqueiros, com as cascas dos cocos, até com a minha carne eu construía um cavalo branco para aquele príncipe. Mas ele não queria, acho que ele não queria, e eu não tive tempo de dizer que quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.
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Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar. A gente se debate, busca, segura o fato com duas mãos sedentas e pensa: Achei! Achei!Mas ele escorrega se espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça.
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A gente fica só, outra vez, e tem que começar do nada, correndo loucamente em busca dos outros vasos que vê. Cada um que surge parece o último, mas todos são de barro, quebram-se antes que possamos reformular as perguntas.
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E começamos de novo, mais uma vez, dia após dia, ano após ano.Um dia a gente chega à frente do espelho e descobre: Envelheci!
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Então a busca termina. As perguntas colam no fundo da garganta, e vem a morte.Que talvez seja a grande resposta. A única."
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Eu só queria um namorinho de portão

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"Não, você não precisa ter o abdômen do mocinho da novela, afinal eu adoro meus peitos naturais que se mexem de leve quando eu corro e desaparecem um pouco quando eu emagreço demais. Acho até que posso ficar com sua barriga pra sempre, mas já faz tempo que não acompanho nem uma semana seguida de qualquer novela.
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Eu não quero que você me busque num super potente carro, eu só quero que quando você me beije, eu não deseje mais nenhuma força do universo. Estou pouco me lixando se o restaurante tem várias cifras no guia da Folha, mas gostaria muito que a gente esquecesse das mesas ao lado e risse a noite toda, eu até brindaria com água sem bolhinhas. Sério que tem uma pousada mega-master com ofurô em cima da montanha e charretes cor-de-rosa que trazem o café da manhã? Dane-se, se você conseguir passar, nem que seja algumas horas, encantado pela gente, essa será a maior riqueza que eu posso ganhar. Sim, a tecnologia é mesmo fantástica, só que hoje eu queria sumir com você para um lugar onde não pegue o celular, não pegue a internet, não pegue a televisão, mas que a gente, em compensação, se pegue muito. Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho na vitrola e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
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Eu procuro você desde o dia em que nasci. Não, eu não dependo de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado. Só que estamos com um problema: vai ser um pouco difícil a gente se conhecer porque tenho evitado sair de casa.
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Eu não odeio mais as garotas em série e seus namorados em série, eu não odeio mais a sensação de que o mundo está perdido e as pessoas lutam todos os dias para se parecerem ainda mais com o perdido ao lado, se perdendo ainda mais. Eu não odeio mais quem cuida do corpo mas esquece da alma, quem cuida do cabelo mas esquece da mente, quem cuida da superfície mas faz eco por dentro, quem coloca um peito de silicone mas esquece de dar mais uma chance ao amor. Eu não odeio mais a galera feliz em pertencer a um mesmo barco que não vai a lugar nenhum. Eu só acho isso tudo muito triste e prefiro não ver.
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Eu prefiro não fazer parte da feira que compete pra ver quem tem a casca mais bonita. Voando eu sei que você não vem, até porque eu jamais namoraria um super-homem: tenho horror a pessoas falsamente infalíveis.
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Não quero um homem que sempre vence, que sempre impressiona, que sempre salva e sorri impecável em dentes brancos e músculos ressaltados por um colan com as cores da bandeira americana. Você pode ter medo de monstrinhos imaginários e dormir com a porta trancada, pode ficar meio tristinho quando, numa festa cheia de amigos, lembrar que é sozinho no mundo, pode perguntar assustado no meio da noite “aonde você vai” mesmo sabendo que é só um xixi, pode até fazer piada com o seu medo de estar vivo, e pode, inclusive, ficar sério e quieto, de repente, por causa disso também. Não existe Orkut, não existe Messenger, não existe celular, não existe um supercelular que é máquina fotográfica, Orkut e Messenger ao mesmo tempo. Não existe o décimo quarto andar do meu prédio com 8 seguranças lá embaixo. Não existe a balada perfeita com 456 garotas iguais e programadas para te dar um amor levemente inexistente. Não existe esperar que a vida fique mais compacta, mais veloz, mais completa e mais fácil, assim como o computador. Existe essa coisa simples, antiga e quase esquecida pela possibilidade infinita de se distrair com as mentiras modernas do mundo. Existe o amor, mas onde ele foi parar depois de tudo isso?
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Eu não tenho um portão para te esperar, como minha avó um dia esperou pelo meu avô e eles ficaram juntos por 70 anos. Talvez eu também seja engolida por esse mundo que cria tantas facilidades para a gente não sofrer. Tenho medo de que tudo seja uma mentira e de verdade sinto que é, mas ainda acordo feliz todos os dias esperando que ao menos você seja verdade."
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Ah o amor!

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"Para meus amigos que estão... SOLTEIROS:
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá. Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado. O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir. Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher.
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Para meus amigos... NÃO SOLTEIROS:
Amor não é se envolver com a “pessoa perfeita”, aquela dos nossos sonhos. Não existem príncipes nem princesas. Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos. O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
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Para meus amigos que gostam de... PAQUERAR:
Nunca diga "te amo" senão te interessa. Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem. Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração. Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti. A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você, quando você não pretende fazer o mesmo...
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Para meus amigos... CASADOS:
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe". Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar. Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores. A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos, mas sim o quanto nesses anos, vocês foram bons um para o outro.
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Para meus amigos que têm um... CORAÇÃO PARTIDO:
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir. Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre. Permita-se rir e conhecer outros corações. Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar a própria vida. A dor de um coração partido é inevitável, mas o sofrimento é opcional. E lembre-se: É melhor ver alguém que você ama feliz com outra pessoa, do que vê-la infeliz ao seu lado.
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Para meus amigos que são... INOCENTES:
Ela (e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade. Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado (a), mas pode descobrir que ela (e) é uma ótima pessoa, e pode vir a se tornar uma (um) grande amiga (o).
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Para meus amigos que têm... MEDO DE TERMINAR:
Às vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você. Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade? Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente. Não engane tal pessoa, não seja grosso (a) e rude esperando que ela (e) adivinhe o que você quer. Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitar. E a melhor forma de respeitá-la (o) é sendo verdadeiro (a) e sincero (a). Lembre-se...O tempo passa e não volta atrás; não adianta dar murro em ponta de faca...
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E para terminar...
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgatará...”
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A flor da pele ♫

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Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de nem ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que não acredito
Mais em você
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!

O Soco de Uma Polegada

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O que é aprendizagem?
Uma jornada e um processo, nunca um fim ou uma conclusão.
O que é um professor?
Um guia, nunca um sentinela ou um ditador.
O que é uma descoberta?
Um processo constante de questionar as respostas e
não de responder às perguntas.
Qual é a meta?
Mente aberta de modo a que você possa “ser” e
nunca saídas fechadas de modo a que você tenha que
“fazer”.
O que é um teste?
Ser e tornar-se; não apenas lembrar e revisar.
O que ensinamos?
Indivíduos e não lições, estilos, sistemas, métodos ou
técnicas.
O que é uma escola?
O que quer que façamos dela.
Onde é a escola?
Em toda parte; não em uma sala de quatro cantos…
mas onde quer que estejamos.

A todos que buscam “o caminho”
Conhecimento vem de seu professor.
Sabedoria vem de seu interior.”

Strip-Tease

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“Chegou no apartamento dele por volta das seis da tarde e sentia um nervosismo
fora do comum. Antes de entrar, pensou mais uma vez no que estava por fazer.
Seria sua primeira vez. Já havia roído as unhas de ambas as mãos.
Não podia mais voltar atrás. Tocou a campainha e ele, ansioso do outro lado da porta,
não levou mais do que dois segundos para atender.
Ele perguntou se ela queria beber alguma coisa, ela não quis.
Ele perguntou se ela queria sentar, ela recusou.
Ele perguntou o que poderia fazer por ela.
A resposta: sem preliminares.
Quero que você me escute, simplesmente.
.
Então ela começou a se despir como nunca havia feito antes.
.
Primeiro tirou a máscara:
.
Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade.
Você é a pessoa mais especial que já conheci.
Não por ser bonito ou por pensar como eu sobre tantas coisas,
mas por algo maior e mais profundo do que aparência e afinidade.
Ser correspondida é o que menos me importa no momento: preciso dizer o que sinto.
.
Então ela desfez-se da arrogância:
.
Nem sei com que pernas cheguei até sua casa, achei que não teria coragem.
Mas agora que estou aqui, preciso que você saiba que cada música que toca
é com você que ouço, cada palavra que leio é com você que reparto,
cada deslumbramento que tenho é com você que sinto.
Você está entranhado no que sou, virou parte da minha história.
.
Era o pudor sendo desabotoado:
.
Eu beijo espelhos, abraço almofadas,
faço carinho em mim mesma tendo você no pensamento,
e mesmo quando as coisas que faço são menos importantes,
como ler uma revista ou lavar uma meia, é em sua companhia que estou.
.
Retirava o medo:
.
Eu não sou melhor ou pior do que ninguém, sou apenas alguém
que está aprendendo a lidar com o amor, sinto que ele existe,
sinto que é forte e sinto que é aquilo que todos procuram. Encontrei.
.
Por fim, a última peça caía, deixando-a nua:
.
Eu gostaria de viver com você, mas não foi por isso que vim.
A intenção é unicamente deixá-lo saber que é amado e deixá-lo pensar a respeito,
que amor não é coisa que se retribua de imediato, apenas para ser gentil.
Se um dia eu for amada do mesmo modo por você, me avise que eu volto,
e a gente recomeça de onde parou, paramos aqui.
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E saiu do apartamento sentindo-se mais mulher do que nunca.”

Ser Criança

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"Ser criança é acreditar que tudo é possível.

É ser inesquecivelmente feliz com muito pouco

É se tornar gigante diante de gigantescos pequenos obstáculos

Ser criança é fazer amigos antes mesmo de saber o nome deles.

É conseguir perdoar muito mais fácil do que brigar.

Ser criança é ter o dia mais feliz da vida, todos os dias.

Ser criança é o que a gente nunca deveria deixar de ser."

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Não deixe o amor passar

comente!
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"Quando encontrar alguém
e esse alguém fizer seu coração
parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
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Se os olhares se cruzarem e,
neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
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Se o toque dos lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante,
e os olhos se encherem d’água neste momento,
perceba: existe algo mágico entre vocês.
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Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa,
se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração,
agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
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Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego
para a melhor coisa da vida: O AMOR."
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comente!
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"Não foi porque não tinha que ser. Quantas vezes eu já ouvi e repeti isso? Mas será que não era mesmo? Ou eu fiz não ser? Não sei. Só sei que o tempo não volta, e nesse caso específico, um dia tivemos outra oportunidade mas assim como as águas nunca voltam iguais, a oportunidade também não se mostrou a mesma.Aí lembro de uma citação do filme “2046” onde o amor tem a ver com o tempo: não adianta encontrar a pessoa certa demasiado tarde ou cedo demais. Então concluo que não foi a oportunidade que já não era a mesma, era o tempo que já era outro. Não estou com saudades não, nem arrependida. E confesso, faz tanto tempo que não sei nem contar os anos desde aquele dia.
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É que hoje vim de carona. E ouvimos um único cd o percurso inteiro. O mesmo cd que num fim de semana qualquer do passado tocou sem parar. Músicas que meses depois, num pedido de “perdão”, ganhei num DVD e num cartão que ainda não tive coragem de jogar fora.Nunca assisti esse DVD. Não queria nada que lembrasse aqueles dias.Mas a lembrança não obedece a gente. Nem os outros sabem dos segredos que guardamos, ou melhor, enterramos dentro da gente.Só sei que aquelas músicas tocaram hoje sem parar. Uma seguida da outra. E eu ainda sabia todas as letras.E como um filme, pela janela eu via uma estrada vazia, chuva no parábrisa, árvores e uma mão na minha coxa."
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Ser Feliz!

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"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um não. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...”

Longe do interfone

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Estava me espreguiçando, com a luz ainda mordendo os lábios e uma curiosidade mansa de quem não definiu se era quinta ou sexta-feira.

Quando vejo na frente de minha casa, no outro lado da rua, um casal se beijando fervorosamente dentro do carro. Seis horas e 30, nem isso. Os passarinhos aprontavam as merendeiras de seus filhotes.

O beijo do casal ultrapassava a medida de uma xícara. Era cálice noturno. Os dois continuavam a madrugada, não despertavam como eu, prosseguiam, agitados e insones. Volúveis, contentes da fraqueza de opinião: despediam-se e retornavam repetidamente. Abraçavam-se e se davam distância para logo repor o enlace. Cada vez mais forte. Cada vez mais denso. Enforcados de cabelos.

Encontrei naquele momento o início da paixão. Não precisavam telefonar no dia seguinte, já vinham mergulhados nele. O início sem reservas. O despudor da confiança, onde não há futuro, nem perspectiva, somente uma indigência feroz de pedir mais e mais entre um gesto e o seguinte.

O começo disposto do dia de dois apaixonados. Com um ritmo só deles, só possível para quem passou a noite transando ou procurando não dormir fazendo barulho com as unhas nos travesseiros. Eu invejava o espírito aventureiro que nada nega, que nada discorda, que nada dificulta, que coloca sua casa numa mochila de pano.

Os dois seguiam se cheirando, se fungando, até que ela desceu e vi que ele não havia estacionado diante do prédio dela. Ficou distante, e ela correu, meio embaraçada, por uns metros. E enxerguei que ela não podia dizer que tinha voltado com ele. Por um motivo proibido, secreto. Enganavam as ruas de bairro. Não foi falta de cavalheirismo, foi um pedido, um consenso de consoantes.

Ela voltou os olhos para trás. E ele a imitou ondulando os braços, girando o volante como um leme, deslizando pelos cantos. Ela enrijeceu o dedo indicador. Aquilo me emocionou: o casal já tinha intimidade para se ofender e não se magoar. O insulto dela escandalizou os filhotes de aves que iam para a escola de nuvens.




Eu me acordava lento e o rapaz acelerava e desaparecia. Reparei nas árvores que escoltavam minhas janelas. Duas sibipirunas. A sibipiruna cresce mais alto na cidade. Não que seja feliz. É para fugir do ar manchado, da pressão dos telhados e arranha-céus, do barulho do trânsito. Se ela morasse na mata, cresceria para os lados, espalhando seus galhos. Mas ela se sente emparedada e sobe, sobe como quem segura seus pertences na cabeça enquanto atravessa um pântano, sobe para levantar ao máximo as sementes da copa e protegê-las.

Eu entendi o quanto nossa altura é uma saída violenta por um pouco de paz. De qualquer jeito.

Triz...

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Eu quase consegui abraçar alguém semana passada. Por um milésimo de segundo eu fechei os olhos e senti meu peito esvaziado de você. Foi realmente quase. Acho que estou andando pra frente.
Ontem ri tanto no jantar, tanto que quase fui feliz de novo. Ouvi uma história muito engraçada sobre uma diretora de criação maluca que fez os funcionários irem trabalhar de pijama. Mas aí lembrei, no meio da minha gargalhada, como eu queria contar essa história para você. E fiquei triste de novo.

Hoje uma pessoa disse que está apaixonada por mim. Quem diria? Alguém gosta de mim. E o mais louco de tudo nem é isso. O mais louco de tudo é que eu também acho que gosto dele. Quase consigo me animar com essa história, mas me animar ou gostar de alguém me lembra você. E fico triste novamente.

Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.

Chorar deixou de ser uma necessidade e virou apenas uma iminência. Sofrer deixou de ser algo maior do que eu e passou a ser um pontinho ali, no mesmo lugar, incomodando a cada segundo, me lembrando o tempo todo que aquele pontinho é um resto, um quase não pontinho.

Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Um quase que não me deixa ser inteira em nada, plena em nada, tranqüila em nada, feliz em nada.

Todos os dias eu quase te ligo, eu quase consigo ser leve e te dizer: “Ei, não quer conhecer minha casa nova?” Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca.

Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro.

Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não odeio aquela foto com aquelas garotas, eu quase não morro com a sua presença, eu quase não escrevo esse texto. O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.

Algo sobre manhãs e bombons...

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ELA - Não entendo o que acontece.
ELE - Tambem não.
ELA - Mas não é tão difícil entender.
ELE - É e não é...
ELA - Basta se esforçar um pouco e você vai saber me explicar.
ELE - Não sei se saberei.
ELA - Saberá, claro que saberá. Diga.
ELE - Bom...
ELA - O quê?
ELE - O quê o quê?
ELA - O que é bom?
ELE - Vai deixar eu continuar?
ELA - Fala logo.
ELE - Bom...
ELA - Mas você vai me dizer o que é bom, né?
ELE - Puta merda, tinha me esquecido como você é chata à vezes.
ELA - EU sou chata?!?! Ah, é?! Então quer dizer que agora EU sou chata... Você me chama aqui, em pleno dia dos namorados, 11 horas da noite, pra falar na minha cara que eu sou chata?
ELE - Não, não foi bem isso...
ELA - Também tinha me esquecido como você é grosso.
ELE - Pára! Deixa de ser exagerada! Vai deixar eu falar o porquê de você estar aqui ou não?
ELA - Tô me sentindo uma palhaça.
ELE - Então se sinta, mas apenas ouça.
ELA - PÁRA ! Deixa de ser grosso!! Não acha que já sofri demais com suas grosserias?!
ELE - Caralho, deixa eu falar!
ELA - Fala logo que eu quero ir embora. Meu tempo não é mais seu.
ELE - Então... é... é sobre isso que eu queria falar... É que, na verdade, hoje é dia dos namorados, né? E eu pensei, assim... em talvez... não sei, seria só uma idéia mesmo... Bom... já que nós estamos sozinhos, né... sei lá, pensei que seria legal se nós nos fizéssemos companhia... Não acha?
ELA - (tempo) É isso?
ELE - É.
ELA - Aonde é a cozinha?
ELE - Ahn?
ELA - Aonde é a cozinha??
ELE - Pra que você quer saber disso agora?
ELA - Pra pegar uma faca e te matar.
ELE - Que isso! To falando na boa!
ELA - (se acalma) Então, quer dizer que eu sou a resolução dos seus problemas!
ELE - Como assim?
ELA - Vamos lá: estava aqui você, sozinho, solitário, no dia dos namorados, precisando dar uma gozada, quando, de repente, lembrou-se de que existe uma ex-namorada, e que por sinal está sozinha também. Olha só que beleza! A isca perfeita pra uma trepada! Aí, resolveu ligar pra ela e ela, boazinha como sempre, pegou o carro às 11 da noite e, correndo perigo no Rio de Janeiro, veio até aqui, só pra ouvir o que você tem a dizer. Mas, que bela surpresa, caros amigos! Na verdade, essa pobre mulher se despencou de copacabana à tijuca, apenas queria ser comida por ele!
ELE - Não é nada disso...
ELA - E então, decepcionada, arrasada, ou qualquer outro adjetivo que mostre o quão "pedaço de qualquer coisa" ela está se sentindo, vira-se para a direita e vai embora decidida, pra nunca mais voltar. ( e vai saindo)
ELE - Calma! Calma!! Não vai embora assim! (pega-a pelo braço)
ELA - Me larga. Você não tem mais nada pra falar comigo.
ELE - Tenho sim.
ELA - Eu não quero ouvir, dane-se o que for!
ELE - Eu te amo.
Silêncio por um tempo. ELA chora.
ELE - Caralho, Eduarda! Eu só te chamei aqui porque queria você ao meu lado, será que você não percebe isso? Por que é que você tem que entender justamente o contrário?? Por que é que você sempre entende o contrário?? (pausa) Sabe por quê você tá aqui, Eduarda, sabe? Você tá aqui porque sinto sua falta. Você tá aqui porque não sei viver sem você! Esse tempo sozinho me deixou tão mal... Quero nossa casa de volta, nosso cantinho, nossas gargalhadas, nossos beijos... Quero ter filhos com você!! Quero!! Eu sempre disse que eu não queria, eu sei, mas esse tempo me fez ter outra opinião! Esse tempo me fez querer ter uma família, uma vida de um homem casado... e a mãe dos meus filhos, Eduarda, na minha imaginação, só podia ser você! Só você! Eu te amo tanto... Não sei mais respirar sem tua lembrança. Quando vou à praia, lembro de você... quando vou ao shopping, lembro de você...quando vou ao cinema, lembro de você... quando como comida mexicana lembro de você... Não sei viver com tua ausência! Por favor, Eduarda, me entenda... Te quero tanto ao meu lado, pra sempre... Te amo... Te amo...
Tempo.
ELA - Meu nome não é Eduarda. (bate a porta)





FIM.

Há certas horas

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“Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
.
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
.
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente,
a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
.
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...
.
Alguém que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
.
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!”
.
.

Viver não dói

comente!
"Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
.
O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?

.
Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
.
Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
.
Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
.
Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.
.
Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.
.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!

.
A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade...

.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional
."
.

Focinhos

comente!

Ah, se as pessoas soubessem o que há por trás de um focinho,
Focinho úmido, geladinho,
Preto, marrom, desbotadinho,
Simples e lindos focinhos.
.
Ah, se as pessoas soubessem o valor de um focinho,
Focinho medroso ou metido,
Focinho manhoso, carinhoso,
Simples amigos focinhos.
.
Ah, se as pessoas tivessem ao menos um focinho,
Não sobre o próprio rosto,
Mas em carne, pelo e osso,
Fonte pura de carinhos.
.
Ah, se as pessoas protegessem os focinhos,
Focinhos que vivem sozinhos,
Amores desperdiçados; focinhos amargurados,
Focinhos pra todo lado.
.
Ah, se as pessoas conhecessem os focinhos,
Quanto amor, quanto carinho,
Anjos peludos, sem narizinhos.
Anjos fofos atrás de focinhos.
.
Ah, se eu pudesse ver todos os focinhos,
Amados e acolhidos,
Crianças da criação, anjos de bem querer,
Focinhos em plena evolução.
.
Ah, se as pessoas soubessem,
Quanto amor e dedicação,
Quanta vida, quanta paixão,
Quanto vale o amor de um cão.
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Ah, se eu pudesse mostrar para todos,
o valor de um focinho,
A gratuidade de um carinho,
O que existe de verdade,
Por trás de um simples focinho.
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_ _ _
O post de hoje é super especial pra mim, hoje minha Filhotinha(essa fofa da foto) completa 02 aninhos.
02 aninhos de pura sapequice e gostosura.
Um anjinho lindo que Deus me mandou pra fazer minha vida mais feliz.
Minha Maricota é uma ‘moçinha’ super companheira e amiga da nossa família, parceira de viagens e defensora de todas as horas.
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Nem imagino como seria minha vida sem essa coisa fofa, sem as lambidas diárias, os dramas(puxou a mami’s aqui!) e as nossas brincadeiras.
Tem gente que diz que eu sou maluca, que exagero, que dou atenção demais a ela, eu apenas retribuo todo carinho e amor que ela tem por mim. E o melhor, um amor suuuuuuuuper sincero! Amor de cães é sincero, sem interesse(no máximo em troca de um osso, mas quem liga?!).
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Maria, meu bebê eu te amo muiiiiiiiiito!!
Obrigada por existir e fazer minha vida mais feliz!
Que o Papai do Céu nos conceda mais anos de vida para a gente curtir juntinhas.
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Beijos Mil,
Dany.

28 de janeiro...

comente!
Hoje é dia de mudar de casa, de rua, de vida. As malas sufocam os corredores. Pelo chão restam plumas amassadas, restos de purpurina, frangalhos de echarpes indianas roubadas, pontas de cigarro (Players Number Six, o mais barato). Chico toca violão e canta London, London: no, nowhere to go. Poucos ainda sorriem e olham nos olhos. Hoje é dia, mais uma vez, de mudar de casa e de vida. Os olhos buscam signos, avisos, o coração resiste (até quando?) e o rosto se banha de estrelas dormidas de ontem, estrelas vagabundas encontradas pelas latas de lixo abundantes de London, London, Babylon City. Alguém pergunta: “O que é que se diz quando se está precisando morrer?” Eu não digo nada, é a minha resposta. Sento no chão e contemplo os escombros de Sodoma e Gomorra: brava Bravington Road, bye, bye. Amanhã é dia de nascer de novo. Para outra morte. Hoje é dia de esperar que o verde deste quase fim de inverno aqueça os parques gelados, as ruas vazias, as mentes exaustas de bad trips. Hoje é dia de não tentar compreender absolutamente nada, não lançar âncoras para o futuro. Estamos encalhados sobre estas malas e tapetes com nossos vinte anos de amor desperdiçado, longe do país que não nos quis. Mas amanhã será quem sabe o acerto de contas e Jesuzinho nos pagará todas as dívidas? Só que já não sei se ainda acredito nele. Tão completamente sento e espero que quase acredito ir além deste estar sentado no meio de escombros, here and now esperando Zé chegar com a noticia de que conseguiu a casa graças aos poderes de Jack na região de Victoria, Pimlico. Só espero, não penso nada. Tento me concentrar numa daquelas sensações antigas como alegria ou fé ou esperança. Mas só fico aqui parado, sem sentir nada, sem pedir nada, sem querer nada. As crianças sujas e ranhentas da casa ao lado vêm perguntar se somos ciganos: are you gipsies? Sylvia mente que sim —from Yugoslavia, diz, agita no ar o pandeirinho com fitas e finge dançar e ler as linhas das mãos das crianças. Gosto tanto desse jeito que Sylvia tem de aliviar as coisas. Meu coração vai batendo devagar como uma borboleta suja sobre este jardim de trapos esgarçados em cujas malhas se prendem e se perdem os restos coloridos da vida que se leva.






Vida? Bem, seja lá o que for isto que temos...



In Lixo e Purpurina