Será que o amor é mesmo tudo?‏

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"Vou ser sincera. Hoje eu pensei em acabar com tudo, escrever uma última carta e te chamar de carta fora do baralho. E doeu, só a possibilidade do fim já doeu imensamente. Eu não entendo, eu não te entendo, eu não me entendo. Pra falar a verdade, eu não entendo nada que nos diga respeito.

Apesar de sermos iguais em tantos aspectos, nós amamos diferente. Eu te amo com tudo o que eu sou, posso ser metade, mas essa metade é tudo o que eu te amo. Eu te amo e não teria medo de enfrentar sociedade, mãe, pai, irmão, amigo ou qualquer coisa por você. Porque, meu caro, eu simplesmente tenho a certeza de que todo esse amor é o suficiente para começar.

E só para começar. Não me entenda mal, mas com todo esse tempo te amando eu aprendi que o amor, só o amor, não é o suficiente. Precisa-se de respeito, precisa-se de carinho, precisa-se de atenção, precisa-se sobretudo de presença. Beber a presença, engolir, satisfazer-se. Sem presença não há amor, me desculpe se isso doer, que resista. Quem ama precisa saber-se amado, para que se sustente, para que se satisfaça. E o amor não trás tudo isso, não é um pacote fechado. Infelizmente amor é singular, você não pode amar por mim e eu não posso amar por você. Há de ser recíproco, mas ainda assim não é o bastante.

Para o amor dar os primeiros passos é necessário uma grande dose de generosidade, quando você ama e quer que esse amor dê bons frutos, você precisa abrir mão de certas coisas e você precisa se doar. Se doer. Pasmem, mas não existe amor sem sofrimento. E não me venha com teorias, estou te dizendo baseada na prática. Não há amor que não doa ou, pelo menos, nunca conheci.

Chegará a hora, a dolorida hora, em que as coisas não vão fluir como no princípio. Haverá brigas, então será necessário um saco enorme, gigantesco de paciência e outro - maior ainda - de respeito. Não há amor que resista a insistentes ordens de "cale a boca" ou então insultos como "seu filho de uma puta". Por favor, aliás, por amor, xingar a mãe é que não dá.

Então, passando por isso, terão - muitas, para não dizer inúmeras - vezes em que você pensará, ficará a um passo de jogar tudo pro alto, como se nada que aconteceu durante todo esse tempo tivesse valido a pena. E nessa hora você precisará de muito auto-controle, sapiência (o pior é que não vendem em lojas) para pesar se é isso que você quer, se é isso que você precisa, se depois dessa atitude você não ficará se lamuriando todo o tempo e vendo aqueles filmes água com açúcar.

Tendo superado essa fase, ou essas fases, como queira. Vocês estarão a um passo do casamento. O casamento: sim, ele - o tão temido. E sejamos grosseiros para não sermos cínicos: Você vai precisar de dinheiro. Ou você pretende largar tudo - emprego, amigos, parentes - para ir vender coco na praia? Você precisa de uma casa, você precisa mobiliar essa casa e só essa brincadeira - quando se trata de valores - já assusta o suficiente pra você pensar em adiar ou re-adiar essa brincadeira de amar, de ser felizes para sempre.

Portanto, já dizia o ditado: Amor com amor não se paga! Só o amor não é suficiente, querido."